
Enquanto a nacionalização da picape a diesel avança na fábrica de Iracemápolis, no interior de São Paulo, a GWM já trabalha no próximo capítulo da sua picape média: uma versão híbrida plug-in de alta performance, batizada de Poer Hi4-T, com potência combinada de 408 cv. É um dos lançamentos mais aguardados da marca chinesa no Brasil — mas, diferentemente do que circula por aí, a chegada dessa variante eletrificada ao mercado nacional ainda não tem data oficial confirmada pela GWM.
O que já é fato: a Poer P30 nacionalizada
A fábrica de Iracemápolis, inaugurada oficialmente em julho de 2025, é hoje o centro de operações da GWM no Brasil e no Mercosul. Desde o início da produção, em setembro de 2025, a unidade ampliou processos industriais, passou a fabricar as versões flex da linha e, mais recentemente, começou a produzir a Poer P30 Pro, nova versão da picape média da marca já nacionalizada.
A configuração confirmada e já em produção no Brasil é a 2.4 turbodiesel, com 184 cv de potência e 48,9 kgfm de torque, câmbio automático de nove marchas e tração 4×4 com bloqueio de diferencial dianteiro e traseiro. É essa versão — não a híbrida — que a GWM tem posicionado como concorrente direta de nomes consolidados como Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10.
A versão híbrida Hi4-T: o que se sabe até agora

O sistema Hi4-T é a aposta da GWM para levar tecnologia de eletrificação de alta performance às picapes médias. De acordo com informações técnicas já divulgadas pela marca em outros mercados e replicadas por veículos especializados no Brasil, o conjunto combina um motor 2.0 turbo a gasolina com um motor elétrico, somando 408 cv de potência combinada e 77,9 kgfm de torque — números bem acima dos 184 cv da versão a diesel hoje vendida no país.
A bateria de alta tensão usa tecnologia lítio-ferro-fosfato (LFP), com capacidade de 37,1 kWh, permitindo rodar até 110 km apenas no modo elétrico, segundo as especificações técnicas já reveladas pela marca. Na prática, isso significaria que boa parte do uso urbano do dia a dia poderia ser feita sem consumir uma gota de combustível, reservando o motor a gasolina para viagens mais longas ou uso mais pesado.
O acabamento prometido também segue a linha “conforto de SUV” que a GWM tem usado em outros lançamentos: central multimídia de até 14,6 polegadas, painel de instrumentos digital e um pacote completo de assistentes de condução (ADAS nível 2+), incluindo piloto automático adaptativo, assistente de permanência em faixa e câmeras com visão de 360 graus. Com cerca de 5,41 metros de comprimento, a versão Hi4-T também seria uma das maiores picapes médias do segmento.
Preço estimado e o que ainda é incerteza
Estimativas de mercado colocam a Poer Hi4-T numa faixa entre R$ 270 mil e R$ 340 mil — bem acima do que a GWM cobra hoje pela versão a diesel nacionalizada. Vale reforçar: esse número é uma projeção do mercado especializado, não uma tabela de preços divulgada oficialmente pela montadora.
É importante separar com clareza o que está confirmado do que ainda é expectativa:
- Confirmado: a GWM nacionalizou a Poer P30 em Iracemápolis, com produção da versão a diesel já em ritmo comercial no Brasil;
- Confirmado: a tecnologia Hi4-T, com os números de potência, torque e bateria citados acima, já existe e foi revelada pela GWM em outros mercados;
- Ainda não confirmado: data oficial de chegada da versão híbrida plug-in Hi4-T ao mercado brasileiro, e se ela também será fabricada em Iracemápolis ou importada em uma primeira fase;
- Ainda não confirmado: preço oficial de tabela da versão híbrida no Brasil — os valores citados são estimativa de mercado.
Por que a Iracemápolis importa nessa história
A fábrica de Iracemápolis é peça central da estratégia da GWM para a América do Sul. Batizada de primeiro complexo de fabricação completa da marca fora da Ásia, a planta tem capacidade para produzir modelos como Haval H6, Haval H9 e a própria linha Poer, e já projeta acelerar a produção conforme a demanda cresce. Um ano após a inauguração, a unidade consolidou a operação industrial no Brasil, adicionando novas linhas de montagem e ampliando o mix de versões produzidas localmente.
É justamente essa base industrial que sustenta a expectativa em torno da versão híbrida: se a GWM decidir nacionalizar também a Hi4-T, Iracemápolis é a fábrica mais provável para recebê-la, dado que já monta a Poer P30 a diesel e tem know-how local acumulado nos últimos meses de operação.
Como funciona, na prática, um sistema Hi4-T
O nome Hi4 identifica a família de sistemas híbridos de alta tecnologia da GWM, usada em diferentes modelos da marca ao redor do mundo — da linha Haval aos SUVs da Tank. A lógica geral é combinar um motor a combustão eficiente com um ou mais motores elétricos e uma bateria de tração, permitindo que o veículo alterne entre modo 100% elétrico, modo híbrido (os dois motores trabalhando juntos) e modo a combustão puro, dependendo da situação de uso e do nível de carga da bateria.
No caso específico da variante “T” (de “turbo”, associada às versões de maior potência), o ganho não é só de eficiência energética, mas também de desempenho: os 408 cv combinados colocam a Poer Hi4-T, no papel, à frente de praticamente todas as picapes médias vendidas hoje no Brasil em potência bruta — incluindo rivais a diesel bem estabelecidas. Isso é possível porque o motor elétrico soma torque ao motor a combustão em vez de apenas complementar a autonomia, uma diferença importante em relação a sistemas híbridos leves (mild-hybrid) mais simples.
O que muda na manutenção de uma picape híbrida plug-in de alta performance
Picapes são compradas, em boa parte dos casos, pensando em trabalho, reboque e uso pesado — por isso a manutenção de um sistema híbrido plug-in de alta performance como o Hi4-T merece atenção redobrada de quem for optar por ela no futuro:
- Bateria de tração: baterias LFP (lítio-ferro-fosfato), como a usada no Hi4-T, são reconhecidas por maior estabilidade térmica e vida útil mais longa em relação a outras químicas de bateria — mas ainda assim exigem monitoramento periódico em rede autorizada;
- Peso adicional: a bateria de tração aumenta o peso total do veículo em relação à versão a diesel, o que pode influenciar desgaste de suspensão e pneus em uso intenso com carga — um ponto a perguntar diretamente à GWM quando a versão for lançada oficialmente;
- Rede de recarga e de assistência: assim como em outros híbridos plug-in, o ganho de economia depende de rotina de recarga; e a extensão da rede autorizada GWM para atendimento de veículos eletrificados ainda está em expansão no Brasil, acompanhando o amadurecimento da fábrica de Iracemápolis;
- Garantia da bateria: um dos primeiros itens a confirmar quando a Hi4-T for lançada oficialmente é o prazo de garantia específico da bateria de tração, historicamente mais longo que o da garantia geral do veículo em outros modelos eletrificados do mercado.
O que fica de recado para quem está de olho na Poer
Quem já pretende comprar uma Poer P30 agora encontra no mercado brasileiro a versão a diesel, nacionalizada, com preço e condições de venda definidos pela rede de concessionárias GWM. Já quem tem interesse específico na versão híbrida de alta performance precisa ter paciência: a Hi4-T é uma tecnologia real, com especificações técnicas já divulgadas pela marca, mas sua chegada ao Brasil — data, preço final e se sairá de fábrica nacional — ainda depende de confirmação oficial da GWM.
O Manual dos Carros vai continuar acompanhando o avanço da fábrica de Iracemápolis e qualquer anúncio oficial da GWM sobre a nacionalização da Poer Hi4-T, atualizando esta matéria assim que houver confirmação de data de lançamento e preço.