BYD Mako: picape híbrida plug-in flex chega ao Brasil em agosto para enfrentar Toro, Maverick e Rampage

BYD Mako camuflada flagrada em testes antes do lançamento no Brasil
Foto: Auto+ TV

Ficha técnica: motor híbrido plug-in DM-i com até 239 cv

A BYD confirmou que a Mako, sua primeira picape média, deve chegar ao mercado brasileiro ainda na segunda metade de 2026, com estreia prevista entre agosto e setembro. O anúncio foi feito por Alexandre Aquino, diretor de produto da BYD no Brasil, durante o evento E-Days 2026, realizado no Rio de Janeiro. A Mako será a primeira picape híbrida plug-in flex do mercado brasileiro, um segmento até hoje dominado por motores a combustão ou, no máximo, por versões híbridas leves sem a opção de recarga externa.

O modelo utiliza o sistema híbrido plug-in DM-i da BYD, que combina um motor 1.5 turbo a combustão com um motor elétrico, resultando em uma potência combinada de até 239 cv e torque de 40,8 kgfm. A transmissão é do tipo e-CVT, com uma única marcha física e marchas eletrônicas simuladas — tecnologia já usada em outros modelos híbridos da marca no Brasil. Ainda segundo informações divulgadas por veículos especializados no lançamento, a Mako deve contar com compatibilidade com etanol, o que tornaria o sistema plug-in também “flex”, uma combinação inédita no segmento de picapes médias no país.

Em termos de tamanho, a picape deve ter cerca de 5 metros de comprimento e entre-eixos próximo de 3 metros, dimensões que a colocam entre as maiores do segmento. A Mako é baseada na mesma plataforma do SUV Song Plus, um dos modelos mais vendidos da BYD no Brasil, o que deve facilitar a produção local e o compartilhamento de componentes entre as duas linhas.

Produção nacional na Bahia, mas chegada inicial importada da China

Assim como aconteceu com outros lançamentos recentes da marca chinesa no Brasil, a Mako deve chegar inicialmente importada da China, enquanto a BYD organiza a produção nacional na fábrica de Camaçari, na Bahia — a mesma unidade que já fabrica os modelos Dolphin Mini, Song Pro e King. A estratégia de começar com unidades importadas e migrar para produção local ao longo dos meses seguintes já foi usada pela montadora em outros lançamentos no país, e permite à BYD testar a aceitação do público antes de comprometer a linha de produção baiana com um novo modelo.

O nome Mako faz parte da estratégia de nomenclatura da BYD baseada em animais marinhos — a montadora já usa “Dolphin” (delfim) e “Shark” (tubarão, nome da picape maior vendida em outros mercados) em seu portfólio. Mako é o nome do tubarão-mako, uma das espécies mais rápidas do oceano, referência que a marca usa para reforçar o posicionamento de desempenho do novo modelo.

Concorrência direta: Fiat Toro, Ford Maverick e Ram Rampage

A chegada da Mako pressiona diretamente o trio que hoje domina o segmento de picapes médias monobloco no Brasil: Fiat Toro, Ford Maverick e Ram Rampage. Diferentemente das picapes tradicionais de chassi separado, como Toyota Hilux e Chevrolet S10, esses modelos usam plataforma unibody (a mesma estrutura de um SUV ou sedã), o que resulta em melhor comportamento dinâmico no asfalto e conforto mais próximo de um carro de passeio, ao custo de uma capacidade de carga um pouco menor do que as picapes maiores.

A entrada da BYD nesse nicho é vista pelo mercado como um movimento natural da marca, que já ocupa posição relevante entre os elétricos e híbridos vendidos no Brasil e busca agora ampliar sua presença para categorias mais populares e com alto volume de vendas, como o segmento das picapes médias. A proposta de eletrificação plug-in é o principal diferencial da Mako frente aos concorrentes diretos, que ainda não oferecem versões com recarga externa no mercado brasileiro.

Ainda não foram divulgados oficialmente o preço nem a configuração completa de acabamentos da Mako no Brasil, informações que a BYD deve revelar mais próximo da data de lançamento comercial. De qualquer forma, a chegada de uma picape plug-in flex ao mercado brasileiro representa um capítulo novo na disputa por um dos segmentos mais lucrativos e concorridos da indústria automotiva nacional, que até agora não contava com nenhuma opção de eletrificação plugável entre as picapes médias vendidas no país.

A Mako chega em um momento de expansão acelerada da marca chinesa no Brasil. A BYD já comercializa no país modelos como o hatch Dolphin, o SUV Song Plus, o sedã Seal e o compacto Dolphin Mini, além de operar a fábrica de Camaçari em ritmo crescente de produção. A aposta em uma picape plug-in flex reforça a estratégia da montadora de cobrir praticamente todos os segmentos relevantes do mercado brasileiro, do compacto de entrada ao utilitário de trabalho, um caminho que nenhuma outra fabricante chinesa percorreu com tanta rapidez por aqui. Resta acompanhar como o público tradicional de picapes médias, historicamente fiel a marcas já consolidadas, vai reagir a uma opção eletrificada vinda de uma montadora ainda recente no país.

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