Setor automotivo debate descompasso entre vendas e produção em fórum de Curitiba

Evento do setor automotivo em Curitiba
Foto: Divulgação/SAE Brasil

Nos dias 5 e 6 de agosto, o Centro de Eventos da FIEP, em Curitiba, recebeu a 23ª edição do Fórum SAE Brasil da Mobilidade (Seção PR/SC), um dos encontros mais tradicionais da indústria automotiva no Sul do país. O tema deste ano, “TecnologIA, Competitividade e Sustentabilidade”, deu o tom das discussões, que reuniram executivos, engenheiros e representantes de montadoras e fornecedores para debater os principais desafios do setor.

Um dos assuntos centrais do fórum foi o crescimento desequilibrado do mercado automotivo brasileiro em 2026. As vendas de veículos devem crescer 11,7% neste ano, segundo projeções apresentadas por especialistas do setor, enquanto a produção nacional deve avançar apenas 5,8% no mesmo período. Esse descompasso ajuda a explicar por que o Brasil voltou a registrar déficit na balança comercial automotiva, puxado pelo aumento expressivo das importações de veículos, especialmente os de origem chinesa.

A abertura do evento contou com um painel sobre cenário econômico, com a participação de Ciro Possobom, CEO da Volkswagen do Brasil, e Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco. A presença de nomes de peso da indústria e do mercado financeiro no mesmo painel reforça como o desempenho do setor automotivo está diretamente conectado ao cenário macroeconômico do país, incluindo juros, câmbio e poder de compra do consumidor.

A programação do fórum também trouxe discussões sobre inteligência artificial aplicada à manufatura, eletrificação da frota, conectividade veicular, descarbonização e novos combustíveis — temas que vêm ganhando espaço crescente em eventos do setor à medida que a indústria se prepara para uma transição tecnológica que deve se acelerar na próxima década. Executivos da Bosch, da Mahle e da Stellantis participaram de painéis técnicos ao longo dos dois dias de evento.

Segundo os organizadores, “o setor enfrenta uma nova dinâmica competitiva, que exige capacidade de inovação” das montadoras e fornecedores instalados no Brasil. A fala resume bem o momento vivido pela indústria: de um lado, a demanda por veículos segue aquecida, com o mercado caminhando para superar a marca de 3 milhões de unidades vendidas em 2026 — patamar que não era alcançado desde 2014. De outro, a produção nacional não acompanha o mesmo ritmo, o que abre espaço para o avanço de marcas chinesas que chegam ao país com forte apelo de preço e tecnologia.

O evento também reservou um painel específico sobre Smart Cities, com foco em Curitiba, cidade historicamente associada a projetos de mobilidade urbana inovadores no Brasil. A discussão reforça que o futuro do setor automotivo não passa só pelo desenvolvimento de novos veículos, mas também pela forma como as cidades brasileiras vão se adaptar a uma frota cada vez mais elétrica, conectada e compartilhada.

Para o consumidor final, o descompasso entre vendas e produção discutido no fórum tem um efeito prático: mais opções de modelos importados no mercado, mas também maior exposição da indústria nacional à concorrência internacional — um debate que deve continuar central para o setor automotivo brasileiro pelo menos até o fim de 2026.

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